Talvez seja assim mesmo. Pode ser que cada nova visita a Paris abra novas visões desta cidade intrigante. Até hoje, tinha na cabeça a imagem de uma cidade mágica, quase surreal. Não que, para um visitante ocasional, ainda não seja um pouco assim, mas esta nova visita me mostrou com mais clareza os traços de uma cidade complexa, como aliás devem ser todas as outras grandes capitais do mundo.
O que quero dizer é que Paris não é uma cidade perfeita. No final das contas, não devem existir mesmo cidades perfeitas. Fantastica, com certeza Paris é, mas não é perfeita. O maior problema é que, em uma França com muitos funcionários públicos, Paris é a meca dos burocratas preguiçosos.
Veja bem… Os caras não são piores que os brasileiros, longe disso. Ontransporte público, por exemplo, funciona bastante bem. Mas numa cidade que recebe mais turistas que qualquer outra no planeta, não dá pra entender como uma atração que deveria fechar às 18hs, com a última admissão às 17:30, já está fechada às 17:10, sem nenhuma explicação convincente. Só posso achar que os caras resolveram chegar em casa mais cedo…
Outra coisa que não tinha me irritado ainda, mas dessa vez me aborreceu, é o famoso mau-humor dos franceses. Sempre achei meio folclórico mas, na verdade, o mau-humor que irrita é o que aparece quando estamos pagando! Garçon mal-educado, balconista desaforada, coisas estranhas para brasileiros acostumados a um atendimento quase sempre cordial e simpático.
Mas tirando estes pequenos problemas, Paris continua sensacional. Em cada caminhada pela cidade mais surpresas, mais detalhes que não tinhamos visto antes. Por exemplo, caminhar pelo Marais e comer sanduiche de falafel no pão pita é uma daquelas experiências que nāo existem em nenhum outro lugar. A dupla Musée D’Orsay-Orangerie continua impagável, e confirmamos a opinião de que o Louvre é uma chatice imperdível.
E o que mais interessa, a comida? Finalmente matamos a vontade de comer na Brasserie Lipp. Divertido sentar em um restaurante que foi bem frequentado por Proust, Camus, Sartre. Será que costumavam ficar em uma mesa próxima da nossa? De qualquer forma, o filé com molho bernaise e fritas valeu a visita! E bem em frente fica o Café de Flore, onde o Sartre também gostava de ir com a Simone. O chocolate quente de lá não é deste mundo! Apesar do garçon japa babaca até o último fio de cabelo. Se um dia forem lá, e o garçon for um japinha, mudem de mesa ou voltem outra hora!
Ao final de 5 noites em Paris, fica a inevitável sensação de que não vimos quase nada, que faltaram museus e recantos pra visitar. Mas, no final das contas, é bom assim: tem sempre coisa pra ver na próxima visita!
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